Logotipo
volta Main Page
ver tambem Como Gravar - Regulagem do Computador
e Aspectos misteriosos da Gravação Digital

Gravação Digital - Computer Setup
- Marcos Ficarelli (Fev 2010)
ultrapassado - peço comentários

Vai gravar? Não faça isto antes de ler este paper. Aqui, tratamos somente da regulagem do BIOS, do sistema operacional e sua interface com o programa de sua preferência, porém não de gravação.
O que descrevo abaixo é resultado de 15 anos de pesquisa na área, somado às inúmeras soluções a mim enviadas pelos melhores engenheiros do mercado mundial. Cuide-se, é matéria difícil e só para usuários experientes e conhecedores do assunto.
Nota: este artigo pode ser considerado ultrapassado, somente se o computador estiver rodando em OS de 64 bits, e todos os programas musicais, também (ex: Sonar, plugins etc.)

O que é setup, neste caso?

A sofisticação do equipamento digital de gravação chegou a tal altura, que hoje, pode-se dizer, um bom PC é capaz de gravar com a mesma qualidade encontrada nos melhores estudios do mundo.

A questão é:

  1. o computador precisa ser profissional em todos seus componentes
  2. a regulagem de muitos softwares (processos) internos, pequenos mas incômodos, precisa ser feita com muita dedicação e estudo (cada caso é um caso)
  3. Você tem de estipular milimetricamente, quais os seus anseios em gravação de audio (programas, estilo, material), antes de configurá-lo

A intenção deste setup, é permitir ao computador retratar fiel e calmamente, o som a ser gravado.

A gravação em várias pistas (multitracks) é o uso mais comum da gravação digital profissional. Assim, em grande parte, a razão deste paper, é tentar minimizar os problemas de clock e latency.

O Bom Computador

O computador para audio tem:

O Equipamento de Audio Digital

Esqueça aquela boa Soundblaster. Já era. Esqueça também, usar o audio original da placa-mãe, mesmo que este seja muito sofisticado (minha placa-mãe tem 8 canais IN/OUT - esqueça, desligue, no BIOS).

Os equipamentos modernos baseiam-se em Firewire ou USB, e são muito bons na operação (daí a regulagem). Na qualidade, superam ao infinito os velhos sistemas. Alguns são tão bons, que você esquece de pensar na regulagem.

Em geral, o equipamento de audio digital moderno tem a forma de preamplificadores ou consoles de gravação (mixers), com conexões de audio e MIDI, IN/OUT, mais controles de gravação (play, FF, RW, REC).

É difícil dizer, entre os melhores equipamentos profissionais, qual o melhor. Raramente é problema de qualidade, mas sim, de interface e operação (driver).

Acho importante dizer que, em gravação digital, quanto mais bits, melhor. Deve-se usar um mínimo de 24bit para a gravação (captura) e 32 para mixagem.

A frequência (sample rate) é importante, mas não tanto (ela pode ser importante se você pular dos 44.1/48kHz para 192kHz = 4 x 48kHz). Mesmo assim, vale à pena caprichar (na captura), porque, talvez, suas gravações serão parte de uma mixagem (e nessa hora, quando mais "samples", melhor).

Os Problemas encontrados

Vamos supor que você ligou tudo do melhor. Pode acontecer:

Esqueça os problemas ... por enquanto

Suponhamos que você tenha todos os problemas acima, ou que não tenha nenhum deles. E daí?

Daí que, é necessário ter certeza que problemas não acontecerão. Você sabe: tudo dá errado exatamente quando você vai mostrar a gravação ao cliente. Daí é tarde.

Como o faria um clínico geral, vamos pedir todos os tipos de exames, antes de dar o diagnóstico:

HARDWARE

O hardware do momento (faz tempo!) tem:

BIOS

O BIOS tem de ser atualizável (e atualizado com frequência), e se completo, capaz de configurar todo o computador, antes que o Windows tome conta do processamento.

Acima em Hardware, falo sobre "desligar" a placa de som. Quando você possui um outro sistema de input para audio (USB, Firewire), terá graves problemas de clock ou latency nas gravações, porque, por mais que você indique o uso exclusivo do novo equipamento, em várias ocasiões, o computador baseará os intervalos de tempo na placa de interrupção "anterior".

Para esclarecer melhor, tenho um laptop HP muito potente, comprado exclusivamente para gravações de audio (assim eu solicitei), cujo BIOS não desliga o audio interno. Resultado: não é confiável e não pode ser usado.

Para um teste mais preciso, aconselho no início, desligar o boot rápido do BIOS (alguns têm tempo configurável. Ex.: 6 segundos) para poder ler com calma tudo o que o computador "está enxergando" na sua placa-mãe.

SISTEMA OPERACIONAL

Windows ou Mac? Tanto faz, desde que você compare dois computadores de mesmo valor. Eu uso Windows porque acho mais intercambiável, i.é, posso trocar os periféricos a meu gosto.

O Mac foi importante "no tempo" do ProTools, quando audio de 24 bits ainda era raridade (hoje é o mínimo até em iPod).

Tenho todos Windows do momento (XP, Vista e 7), atualizados manualmente, para que o computador não perca tempo em ficar procurando na rede, uma atualização sem importância.

Com as devidas atualizações, são poucas as diferenças entre os três Windows de 32 bits. Uma boa regulagem resume-se em desligar um monte de baboseiras automáticas, amadorísticas e sufocantes que lá colocam. Todos aqueles avisos de perigo (UAC), bonequinhos, descansos de tela ... suma com eles (Chôô).

Com OS de 64 bits, alguns programas de gravação (Cakewalk Sonar p.ex.) rodam muito melhor. Para mim, é a escolha profissional.

GERENCIAMENTO DE MEMÓRIA

Tenho certezas e dúvidas. Cada caso é um caso.

Primeiro, deve haver a certeza que o Windows não rouba (usa) a memória da placa de video, ou vice-versa. É uma certeza: daí ter-se uma placa de video separada com memória grande.

A dúvida recai sobre a memória cache do Windows. Me aconselharam a fixá-la dentro de um padrão aceitável (digamos 1GB - em ControlPanel>Performance) em vez de deixá-la a critério do Windows. Fixá-la, é um sistema também usado por vários programas de captura de video (e que funciona). Vários programas de gravação apoiam a idéia. A dúvida é saber se é ou não melhor.

Um dos grandes problemas com a memória, em gravação, é o uso de plugins de sintetizadores (uns gigantescos). A solução é muito difícil (e em muitos casos, ainda não encontrei a solução - se travar, está faltando memória ... ou mais coisa!).

Os bons programas de audio (Cakewalk Sonar, Sound Forge etc.) não exigem muito do computador e sua memória. Por isso, não é necessário tê-la grande, mas sim, estável e rápida. Assim, deve-se usar memórias DDR3 ou superior.

GERENCIAMENTO DE INTERRUPÇÕES E PRIORIDADES

Os sistemas operacionais estão cada vez melhores neste gerenciamento. O problema nasce quando os periféricos externos (placa de som etc.) exigem do BIOS algo além da sua necessidade, roubando interrupções e, principalmente "latency" (que é muito importante em gravação).

Eu usava um programinha (só para XP) chamado DoubleDawg, que regulava automaticamente e com precisão, os recursos necessários a cada dispositivo (nem mais nem menos), entregando ao Windows tudo bem regulado. Quando comprei minha primeira interface Firewire, foi a salvação. Com as atualizações, mostrou-se desnecessário.

Aconselho, neste caso, verificar em MyComputer>Manage>DeviceManager todo o andamento dos dispositivos: se estão funcionando bem e quais estão funcionando ou devem ser desligados.

GERENCIAMENTO DE VIDEO (da tela)

A ordem é desligar todos os efeitos "bonitinhos". A configuração deve ser para performance. É sua opção, já que faz falta algo bonito na tela (e na vida).

Eu gerenciei a meu gosto: o mínimo de efeitos, porém não tão feio. Meu uso frequente de spectrum-analyzers teve de ser adaptado ao mínimo.

Sobre video + audio (sincronização audiovisual labial): É importante frisar, que o uso do video em gravação sincronizada, não "pesa" ao computador e é precisa, contanto que o formato seja "aprazível". Nunca use AVI-Full - este é só para edição de ... video.

GERENCIAMENTO DE AUDIO

É fácil. Se você quer fazer um bom trabalho, tem de optar pelo melhor e descartar o que não o for.

Se você comprou uma placa de som boa e sua placa-mãe tem também o som nativo, desligue este (pelo BIOS).

Nunca use dois dispositivos diferentes ao mesmo tempo, e tenha cuidado quando usar dois iguais, também. Tudo por problema de clock e latency.

Antes de desligar os dispositivos ruins, lembre-se de desligar todos os efeitos anteriormente setados para eles (ambiente, eco, equalizador etc.). O meu Windows Vista veio com "tudo" ligado (dizia a Microsoft que isto era uma experiência mágica). Demorou muito até descobrir onde desligar aquele monte de efeitos até o som ficar, simplesmente, um verdadeiro Line Out.

Line Out puro é o som que deve sair do seu dispositivo de audio, nada mais. Não utilize equalizadores ou quaisquer efeitos na saída, que possam falsear o som que está gravado. Qualquer modificação deve ser feita no hardware (aparelhos) externo.

Aconselho o uso preferencial de placas que operam em 24 bits (16 já era) e com o máximo de kHz possível.

Se a placa for configurável para bits ou kHz, à sua necessidade, tente utilizar somente uma configuração.

GERENCIAMENTO DE MIDI

Algumas placas-mãe possuem MIDI internamente. Pode confiar, mas é necessária a instalação do "rabicho" (difícil de se encontrar).

Os dispositivos em USB também são bons, contanto que você o "ache" no setup. Os USB são mais "portáteis" e permitem alguma extensão (às vezes dá errado ligar em cadeia).

Para meu gerenciamento utilizo um velho aparelho externo Roland A-880 Mixer/Patcher com 8 entradas e saídas e inclusive mixagem (merge) de canais (ex: teclado + computador). Tudo ligado diretamente na placa-mãe.

Como acima, não tenha 2 dispositivos (interfaces) MIDI funcionando ao mesmo tempo (de novo: clock e latency).

HARDWARE DE GRAVAÇÃO (preamplificador)

É o mais difícil e caro, mas tem que ser o melhor que seu dinheiro pode comprar.

Há grandes fabricantes confiáveis e muitos modelos.

Primeiro, você tem de optar pelo aparelho mais apropriado ao tipo de gravação a fazer. Escolhido o "tipo", procure pelo que lhe garanta um latency perfeito (só pesquisando muito) e que tenha um maravilhoso software para gerenciar o driver. De novo pesquise muito ... e, antes de comprar, leia o Manual (RFM) e todos reports e reviews existentes na Internet.

Segundo, use-o testando aos limites, e garanta que a interface entre os programas de gravação e o seu aparelho está perfeita (ex.: no Sonar, teste-o com o Wave Profiler).

Muitos aparelhos são difíceis de ser encontrados pelo Windows. Neste caso, procure por atualizações de drivers ou jogue-o fora. Não perca seu tempo com coisa que não funciona ou funciona mal.

Finalmente uma dica: no mínimo, com tudo ligado (até o microfone ou guitarra, abertos), um bom aparelho moderno tem nível de ruido abaixo de -60dB (até -90dB). Os antigos conseguiam menos de -48dB. Verifique o seu. -60dB, hoje, é o mínimo. Regule os VU para essa faixa de leitura (-72 ou -90 dB).

DRIVER DE GRAVAÇÃO

Não basta ser moderno ou atualizado. Tem que ser testado, medido e garantido.

Se você tem algum problema com esse driver, reclame com o fabricante (talvez ele lhe dê a solução).

Verifique até que ponto o seu programa de gravação é capaz de "entender" o seu driver e de gerenciá-lo.

Se o aparelho possui um software de gerenciamento do driver, tenha a certeza que sua configuração é compatível com as necessidades do programa de gravação (buffers, bits, kHz etc)

No Windows, existem 3 tipos de drivers para gravação: WDM (mais comum), ASIO (creio ser melhor, nunca usei - declaram ter latency igual a zero) e MME (fuja dele).

Os maiores problemas que encontro nesta área são:

PROGRAMA UTILIZADO NA GRAVAÇÃO

Para gravar, eu uso o Sonar (antigo até) e o Audacity (grátis). Os dois são perfeitos em todos os pontos. Trabalham bem com drivers WDM. Em geral, qualquer programa trabalha bem com driver ASIO e nem todos com WDM. Nunca tive problema neste assunto.

Os problemas graves só aparecem quando se quer gravar várias pistas (tracks) em sincronismo (daí a razão de todo este artigo - paper).

Existem programas fáceis (para principiantes - a escolha é sua) e existem complexos, ao infinito. Se você vai começar uma carreira, pesquise muito antes de se aventurar - cada programa é uma escola diferente.

É bom falar, também, sobre programas opcionais que nos ajudam quando nos deparamos com arquivos ou extensões esquisitas. Eu uso o Nero (completo, comprado) e o velho Winamp para fazer transferência e decodificação. Sempre aconselho ter um Nero à mão - é um pacote bem completo.

Use programas originais e comprados. Seja profissional

EDITORES DE AUDIO E MIDI


Sony Sound Forge - audio editor

XG-Wizard - MIDI editor

Na minha única opinião, os melhores editores são os que permitem melhor visualização do objeto a ser editado. Com a experiência adquirida, hoje eu "ouço" ondas, minha mente "toca" MIDI etc.

Editar é corrigir fisicamente o som natural gerado em ondas ou notas MIDI. Tudo deve estar dentro de um padrão rígido internacional (ex.: ISO, NAB, RIAA, GM, XG) para depois ser processado pelo programa de gravação.

Os programas de gravação oferecem grande sortimento de efeitos de edição, em geral muito fáceis de se executar, mas nem sempre de máxima qualidade. No meu caso, utilizo o Audacity (100% preciso) para editar som puro. Os efeitos são colocados no Sonar ou antes, na própria gravação.

Os editores de audio utilizam pouca memória. Sem problema.

Para cada sintetizador MIDI, eu sempre tenho seus editores de som originais. Simulam mixers de mesa. São complicados, mas conseguem fabricar sons maravilhosos. Após fabricados os sons, transfiro-os via arquivo Sys-X, para o Sonar.

PROGRAMAS E SERVIÇOS ATIVOS

Suponhamos que tudo está regulado, você vai fazer uma gravação, e ela tem problema (seja qual for).

Uso o Cakewalk há mais de 25 anos. Nunca vi um só problema nele. Mas ... fora dele, tenho muitos problemas que afetam diretamente minha gravação, causando desastres insuportáveis.

Culpados: os 500 programinhas que estão rodando escondidos no computador, chamados Serviços ou Processos (é a mesma coisa, quase).

Experimente apertar Ctrl-Alt-Del e verifique em Processos quantos estão funcionando. Alguns não param de funcionar, outros são duplicados etc.

Experimente ir em MyComputer>Manage>Services: você encontrará uma lista completa de todos os programinhas que ligarão no seu computador, dependendo do seu funcionamento. É uma grande confusão, mas é também, uma boa oportunidade de conhecê-lo e regulá-lo melhor. Um sufoco.

Se você usar o CCcleaner (programa grátis da CNet), poderá ver também quais os programas que rodam antes do computador inicializar. Devem haver muitos que só lá estão para atrapalhar sua vida.

Pois bem, seu novo trabalho será saber o que cada um deles (processos) faz, se é importante ou necessário, e se possível, desligá-los. Eu, para cada um, pesquisei na Internet e tirei minhas conclusões.

Entre todos os processos, dois são principais e também maiores causadores de problemas durante uma gravação: a rede e o antivírus.

Doeu? É um problemão que você tem que resolver, porque o computador fica todo o tempo inteiro atento à rede (ex.: Internet) enquanto que o antivirus fica atento a qualquer movimento, interno e externo. No meu caso, uso três opções distintas (dependendo do trabalho):

  1. Mínima: no antivirus (configurado para uma só atualização por semana - no domingo), coloco como exceção (o guardião não trabalhará) todos os programas de gravação (default)
  2. De qualidade: desligo a rede, além do acima. Se a gravação é multipista, é o obrigatório
  3. Máxima: Em emergência, desligo o antivirus, rede e todos os drivers que não vou usar. Neste caso, após a emergência, é necessária uma revisão geral no computador

SUJEIRA NO COMPUTADOR

Eu uso o CCcleaner para limpar arquivos temporários e também os que não têm alguma importância. Aconselho. Uso toda hora, setado junto à lixeira.

Não esqueço de, com frequência, desfragmentar os discos rígidos.

Além disso, a cada 6 meses, desmonto o computador por inteiro, limpo tudo e monto novamente.

Também a cada 3 meses ou menos, gravo meus arquivos importantes num DVD, inclusive toda a pasta de e-mails; depois limpo os e-mails até 4 meses atrás e procuro qualquer outro arquivo para ser apagado (sem exagêros).

PERIFÉRICOS ENVOLVIDOS

Tenho vários periféricos que uso com pouca frequência, mas que são importantíssimos quando necessários.

Placas ou aparelhos de captura de video, pedais de guitarra em USB, preamplificadores em Firewire ...

É importante conhecer a operação deste dispositivos, pois muitas vezes, seus drivers ficam instalados à espera do dispositivo, atrapalhando o "foco" do programa de gravação.

Além disso, é importante ter o cuidado de não permitir que o seu programa de gravação reconheça-os como dispositivo de gravação, provocando confusão e, principalmente, erro de clock.

REGULANDO OS VOLUMES

Todos equipamentos entre o microfone de gravação e o altofalante devem estar perfeitamente regulados na faixa entre 0,25 e 1 Volt. O 0dB deve ser "procurado" com a máxima exatidão (e monitoração), para garantir a inexistência de distorsões, principalmente as digitais (que são horríveis). Quanto mais VU-meter, melhor

Além dos VU, aconselho o uso de Spectrum Analyzers como medidores de volume, porque às vezes, certos instrumentos (os agudos) soam baixo mas seu volume digital é alto. Flautim, Chimbal etc. são difíceis de medir.

Tenha certeza que seus monitores são 100% perfeitos.

INTERFACE DO HARDWARE COM O PROGRAMA

É o final, e é também onde todos os problemas aparecem.

O problema maior é com o clock. Em geral, quando ele é problema, tudo dá errado (a nova pista acaba antes do esperado, o som é distorcido ou tremido ..). Neste caso, volte ao ítem nº1 e comece tudo de novo(!!!)

O problema mais frequente e difícil de resolver é o de latency.

Simplificando, latency é a diferença de tempo entre a audição da pista que toca e o momento da gravação. Tecnica e obrigatoriamente, esta diferença deve ser ZERO. Não é, você sabe, mas o programa tem de acertar tal sincronização (o que é muito difícil).

Normalmente, para acertar este atrazo, o programa tem de analisar e conhecer seu equipamento (pelo Wave Analyzer p.ex.), para gravar seu som com o adiantamento necessário.

Há falhas, controvérsias etc. nesta tarefa. A correção inexata causa flutuação no tempo, falta de precisão no início e final, e pode ser a grande razão para você descartar (jogar fora) seu equipamento (talvez todo).

Calma! Antes de descartar tudo, tenha a certeza que toda a lição foi feita e todos os testes foram executados.

Eu joguei fora uma placa-mãe das mais caras, com audio de 8 canais, porque o tempo (latency) na gravação não era preciso nunca.

Como eu tive certeza? Gravando. Colei (Ctrl+V) vários "bursts" de onda triangular (3 vibrações no máximo) em vários pontos da primeira pista, e regravei-a várias vezes em outras pistas, via Output>Input do console (mixer). Foi uma lástima. Nem "arrastando" um pouco cada uma dava certo, porque no meio e no fim, também não batiam.

Não pense que eu percebi facilmente este defeito. Demorou (as diferenças são de mili ou microsegundos). Minha única certeza antes dos testes, era olhar para mim no espelho, e me dizer "- Você é melhor que a gravação que fez. Estude mais.".

ANTES E DEPOIS DA GRAVAÇÃO

É o Hardware! Este é o ponto final e muito importante. Seus monitores, microfones e preamplificadores têm de ser os melhores. Sua guitarra, sintetizador etc. também.

O melhor equipamento que existe é aquele onde você grava tudo "flat", ouve tudo flat ... e tudo dá certo. O meu é assim, e eu acho que isto é só o começo de um bom trabalho.

VOLTEMOS AOS PROBLEMAS - causas e possíveis soluções

Computador não encontra o hardware de gravação (o preamplificador)

Software encontra o hardware, mas não encontra o driver (por inteiro ou em partes)

É problema do software. Estude bem antes de desistir (muitas vezes somos obrigados a fazê-lo). Peça ajuda ao fabricante. Se não encontrar nada (ex.: fabricante), jogue fora

Computador trava, mesmo sem tocar

Até o Windows 95, era passível de acontecer, no 98 raramente. Do XP em diante, deve-se verificar no Device Manager do Windows (My Computer), se há algum choque de dispositivos grave. Outra razão, também rara, é a má qualidade ou excesso de qualidade da gravação (ex.: .WMA, 192 kHz @ 32 bits, video AVI-full, que o programa não aceita)

Computador trava tocando (no meio de uma música)

A gravação está pesada. Neste caso, ou ela está pesada de verdade, ou será necessária a revisão total do computador.

Gravação de várias pistas perde a sincronicidade

1) Não grave multipistas em diferentes kHz (principalmente 44.1 vs. 48 kHz). 2) Pode haver "perda momentânea" de driver causando má gravação (grave novamente). 3) Se a gravação saiu perfeita, mas dessincronizou, como paliativo, "arraste à sincronização", e depois, com calma, verifique (sempre por todo o computador) o que está travando.

Timming do MIDI não bate com o do Audio (ou Video)

Em geral, os bons programas de gravação possuem uma regulagem para isso. Nem sempre são precisas. Se necessário, altere o clock base da gravação.

Toda hora, aparece um diálogo (aviso) dizendo que o driver se perdeu

No começo, eu resetava tudo. Depois aprendi que o fato pode ser momentâneo (e pode ser esquecido), ou não (resetar e regular tudo de novo).

Às vezes, a gravação sai com um som esquisito

"Deu pau" no driver. Na dúvida, grave de novo ou resete tudo. Não se esqueça de, sempre, atualizar o driver; pode fazer grande diferença. Às vezes, é melhor desinstalar o driver antigo, antes de instalar o novo. Nota: existem drivers antigos difíceis de desinstalar (peça ajuda ao fabricante).

Nada dá certo

NOTA SOBRE 44.1 E 48 kHz

Em audio digital, nos acostumamos (e é difícil sair dessa) a gravar e ouvir em 44.1 kHz. Os CDs etc. gravam nesta frequência (bit rate). Que número esquisito!

A intenção dos inventores era trabalhar com um bit rate mais compatível com números binários (como é o caso de 48), mas como o disco digital (e depois o CD) foi inventado pela Philips (eu estava lá no MIDEM Cannes 1975) e naquela época o único gravador de video caseiro existente era também um da Philips, que gravava e transmitia em PAL (este sistema dá muito trabalho no Brasil, também), europeu, as gravações americanas em 48kHz, quando transferidas para PAL, resultavam num som de 44.1 kHz ... e assim ficou.

Hoje é necessário reverter (profissionalmente, ao menos - passar para 48) esta situação, mas é difícil, pois as gravações antigas estão em 44.1, e somente as novas serão em 48 (e várias vezes fazemos a remixagem ou retoque em gravações anteriores). Então, esta mudança é dolorosa porém necessária, já que muitos produtores estão gravando em bit rates superiores como 96 ou 192 kHz (múltiplos de 48).

Nota Importante: A diferença entre 44.1 e 48 kHz é desprezível e não deve ser modificada. Não altere, salvo se muito importante. Se a alteração for necessária porque o arquivo será transferido para outro processador (estudio, masterizador etc.) que usa outros padrões, peça que ele modifique com seus próprios meios (e não você).

UMA SOLUÇÃO PROFISSIONAL

Após a leitura do texto por inteiro, podemos chegar à conclusão que ainda não foi discutida: você vai fazer um trabalho profissional?

Se vai, aconselho a compra de equipamentos grandes, rápidos, compatíveis ... OK, o default

Não é só. Se o trabalho será profissional, escolha um computador com rede desligada (no BIOS), sem antivirus, e sem um monte de programas que nada têm a ver com a gravação de audio digital. Nem deixe instalar (para depois desinstalar).

Invariavelmente, todas aquelas maravilhas computacionais que sua mãe ou irmãozinho gostam, destroem o foco principal do "trabalho" computacional. Gravação é coisa muito séria, pesada, e depende de microssegundos para ser perfeita.

Em música (a maior razão para a precisão na gravação), ou tudo é perfeito, ou não existe.